“...o ato
de contar histórias está sempre ligado a uma perspectiva relacional: contamos
histórias uns para os outros, no sentido de estabelecer narrativas comuns que
nos permitam estabelecer não apenas quem somos, mas também quem não somos” ; Gerbner.
As narrativas nos levam à
percepção e entendimento de que a identidade e a diferença não são criações do
mundo natural ou de um mundo transcendental, mas do mundo cultural e social em
que são ativamente e constantemente produzidas. Somos nós que as fabricamos
dentro de relações culturais e sociais. A identidade aqui é vista como um
processo relacional, uma questão de comunicação, ou seja, é o resultado da
interação de mensagens de pessoas e culturas. Dessa interação cultural, os
indivíduos vão definindo sua identidade, gerando o estranhamento decorrente da
interação com o “diferente” que vai ajudar o sujeito a se perceber através da
alteridade. A identidade e a alteridade se tornam, assim, um arquétipo do
espaço fronteiriço. E é através desses elementos que surge a diferença,
tornando a fronteira um lugar de alteridade, que conquista enfoques novos, face
à transformação social que sofremos pelo processo de mundialização em curso e
do multiculturalismo na sociedade.
A narrativa
como ato de contar histórias está também ligada à ação de partilhar algo com
outras pessoas. O ato narrativo, o contar uma história, é uma maneira, também,
de perceber o ato comunicacional como uma forma de encontro com o outro.
Martino (2016: 46) descreve o vínculo da narrativa ao segmento social, em que o
exercício de narrar “é uma vivência afetiva com o mundo que se vai narrar”,
ou seja, um instrumento de vinculação que é constituído tanto por linhas
cognitivas quanto afetivas, “que parece ser um dos elementos centrais de
qualquer narrativa: a possibilidade de criar um vínculo com o outro a partir de
uma história compartilhada não deixa de ser uma das formas de estabelecimento
de uma relação com o outro”.
Texto de
Aline Darzé. Mestre em Ciência da Comunicação pela FCSH.

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