quarta-feira, 14 de agosto de 2019



“...o ato de contar histórias está sempre ligado a uma perspectiva relacional: contamos histórias uns para os outros, no sentido de estabelecer narrativas comuns que nos permitam estabelecer não apenas quem somos, mas também quem não somos” ; Gerbner.



As narrativas nos levam à percepção e entendimento de que a identidade e a diferença não são criações do mundo natural ou de um mundo transcendental, mas do mundo cultural e social em que são ativamente e constantemente produzidas. Somos nós que as fabricamos dentro de relações culturais e sociais. A identidade aqui é vista como um processo relacional, uma questão de comunicação, ou seja, é o resultado da interação de mensagens de pessoas e culturas. Dessa interação cultural, os indivíduos vão definindo sua identidade, gerando o estranhamento decorrente da interação com o “diferente” que vai ajudar o sujeito a se perceber através da alteridade. A identidade e a alteridade se tornam, assim, um arquétipo do espaço fronteiriço. E é através desses elementos que surge a diferença, tornando a fronteira um lugar de alteridade, que conquista enfoques novos, face à transformação social que sofremos pelo processo de mundialização em curso e do multiculturalismo na sociedade.

A narrativa como ato de contar histórias está também ligada à ação de partilhar algo com outras pessoas. O ato narrativo, o contar uma história, é uma maneira, também, de perceber o ato comunicacional como uma forma de encontro com o outro. Martino (2016: 46) descreve o vínculo da narrativa ao segmento social, em que o exercício de narrar “é uma vivência afetiva com o mundo que se vai narrar”, ou seja, um instrumento de vinculação que é constituído tanto por linhas cognitivas quanto afetivas, “que parece ser um dos elementos centrais de qualquer narrativa: a possibilidade de criar um vínculo com o outro a partir de uma história compartilhada não deixa de ser uma das formas de estabelecimento de uma relação com o outro”.

Texto de Aline Darzé. Mestre em Ciência da Comunicação pela FCSH.

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